Ondas vindo, rápidas, e eu, surfista inexperiente porém ávida, tentando dropar todas elas. A participação com o 3 na massa foi deliciosa. Encontrar os amigos, falar sobre coisas importantes, coisas bobas, coisas todas...e deixar a música dizer tudo aquilo que a gente nunca diz, porque nem sabe como. Saí de lá com a sensação de plenitude que tem sido tão rara ultimamente. Por aí é muito papinho besta, é muito disse me disse, é muita preocupação com amenidades totalmente incolores. Ali, era só encontro e arte.
Essa semana parece ter sido a dos encontros inspiradores, e terminei de filmar o longa da Anna Muylaerte, aonde encontrei com o Lourenço Mutarelli. E falamos de sonhos, de universo onírico, de David Lynch e Tom Waits. De quem não sonha e mesmo assim tem um diário de sonhos inventados. E de Jung X Freud, e coleção de envelopes fechados; e eu vi que necessito de mais gente interessante assim na minha vida, do contrário eu murcho.
Tenho murchado imperceptivelmente toda vez que gasto meu tempo com gente que não me acrescenta, que me suga. É essa maldita vontade de ser gente boa que acaba comigo. Parece que nesses momentos a gente descobre que tem que ser meio egoísta, porque não há nós mesmos suficientes para todo o mundo. Que seja cruel, mas que seja pela minha sanidade: eu me dôo para quem eu acho que merece. Minha atenção, meu sorriso, meu pesar, meu boa noite serão destinados só àqueles por quem eu me interesso. A questão é que meu ouvido não é penico. A questão é que eu não tenho paciência pra gente superficial e chata. E o tempo passa rápido demais. Não é uma questão de ingratidão; é só que a vida urge e eu preciso aproveitar melhor o tempo que me resta.
Depois veio show em Gramado, e mais encontros. Público, galera das outras bandas, festinha no backstage. E o principal deles comigo mesma, depois de algumas garrafas de vinho, visitando um lugar de mim no qual eu nunca mais havia estado. |