Acho a internet uma coisa maravilhosa, mesmo. Uma imensa biblioteca com todo tipo de informação disponível, uma grande chance de interagir com as pessoas. Mas nunca fui, de fato, grande entusiasta de redes sociais. No passado tentei o Orkut, até que este virasse uma espécie de “terra de ninguém” e ficasse tudo muito confuso com essa história de colecionar amigos que nunca vi na vida. Sei lá. E aí ano passado conheci o Twitter. Me cativou o fato de ser mais objetivo e menos invasivo que as demais redes, e a coisa desafiadora de se ter apenas 140 caracteres para exprimir um pensamento. Gostei de perceber que ali seriam ideias em lampejos, fragmentos, quase como se você estivesse somente pensando alto, devaneando. Ao menos, eu decidi usá-lo assim. Tem gente que usa o Twitter de forma mais corporativa e burocrática, apenas para informações relativas ao trabalho, tem gente que desabafa, tem gente que só posta amenidades. Tem de tudo. O tempo foi passando, o número de pessoas que me seguiam ali foi aumentando, e eu comecei a me deparar com algumas situações constantes as quais gostaria de tentar esclarecer agora e aqui, porque nesse caso 140 caracteres é muito pouco.
O famigerado “Me segue”: Não é assim que funciona. As pessoas devem ser livres ali para escolher quem elas querem ou não seguir, de acordo com seu tempo disponível e interesses específicos. Qual o objetivo de receber na sua timeline tweets que não lhe interessam de fato? Isso não tem nada a ver com falta de gentileza, tem a ver com o aproveitamento real da ferramenta. Particularmente, decidi seguir uns amigos e alguns outros que me acrescentam informações no dia a dia, e percebi que seria impossível seguir mais do que estes por pura falta de tempo. Prefiro poucos que posso acompanhar de verdade do que muitos que nunca vou conseguir ler. Um reflexo dessa coisa de seguir muita gente e não conseguir acompanhar nenhum respinga em mim: muitas vezes vejo nos meus replies gente me perguntando sobre coisas que já postei anteriormente. Talvez essas pessoas estejam seguindo mais gente do que podem absorver, e a informação se perde. O pior é a chantagem, a barganha, o “me segue que eu te sigo”. Ei, isso não é moeda de troca. Siga, e deixe os outros seguirem quem quiser. Segue quem tu queres, pois é tudo da lei... da Twittolândia. Adendo: “me retuita” e “me indica” entram na mesma categoria, desde que não seja referente à alguma causa nobre. Isso não é algo que se imponha, é algo que simplesmente acontece quando o dono do perfil acha que tem que acontecer.
O eterno “Me dá um oi”: Olha, sinceramente. Eu ADORARIA conseguir responder a todas as pessoas que me mandam mensagens, mas é humanamente impossível. Teria que passar os dias sentada na frente do computador apenas digitando “oi” (send), “oi” (send), “oi” (send). Ademais, não entendo essa carência por um “oi” sendo que existe tanta coisa interessante, tanta ideia pra se trocar. Tem gente que fala “dá um oi pra eu imprimir e mostrar pros amigos”, ou “manda parabéns pra não-sei-quem”. Pera aê, né. Não tem como. Aí, sabendo que isso pode ser importante pra alguém (mesmo que não concorde), se resolvo dar um “oi” pra satisfazer apenas dois ou três, como faço com os outros tantos que ficaram na mão? Seria injusto. Prefiro usar meu pouco tempo disponível ali para trocar ideias mais consistentes e alimentadoras; acabo respondendo quando existe um conteúdo que invoca a tal resposta. Tive momentos ótimos com pessoas que não conheço, que me indicaram coisas legais, que compartilharam pensamentos e filosofias sobre arte ou sobre coisas corriqueiras do mundo. Houve até discussões e embates positivos, ricos. Há mais, muito mais pra ser dito, mas tem gente que só se preocupa com o superficial. “Só quero que algum famoso me responda..” é de doer o coraçãozinho.
A chatice de “floodar”: Floodar é o abrasileiramento da palavra “flood” que em inglês significa “inundação”. Virou moda por aqui, e consiste em mandar a mesma mensagem (geralmente irrelevante) diversas vezes. No Twitter, é um inferno quando um sem-noção inventa de escrever (e até numerar) o mesmo “por favor me responde” 342 vezes. Porra, não floode, bicho. Não é a quantidade de vezes que determina uma resposta, e sim o conteúdo da pergunta. Por isso criei uma regrinha básica que até rima: se floodar, vou bloquear. Porque isso é muito, muito chato e me impede de ver as outras mensagens que porventura sejam legais.
Quantidade X qualidade: O número de seguidores vai crescendo, e vai-se constatando algo que eu já intuía através de outras situações anteriores. Quando se lida com mais gente, quanto mais popular se fica, mais pessoas diferentes e distantes de você aparecem. Ter mais seguidores é sempre ótimo porque é sua informação chegando mais longe, mas isso implica em lidar com aquele sujeito que só conhece suas músicas mais famosas e acha que te sabe; que tem um gosto mais popular e está acostumado com artistas menos críticos e mais políticos; e que certamente vai se assustar ou se ofender com algum aspecto da sua personalidade para o qual ele não estava preparado. Esse conflito ocorre porque a identificação é tênue ou porque projetou em sua cabeça um artista que não é aquele. É uma matemática cruel, mas muito verdadeira. Quanto mais pessoas, mais faixas etárias, escolaridade e pontos de vista diferentes. Geralmente, menos senso crítico também. E aí surgem desde os que não entendem o que escrevo por não compartilharem das mesmas referências até os que se indignam com algum desabafo mais sincero. A “maioria” não compreende aquilo que não faz parte da maioria. Como sempre pertenci a algum tipo de minoria, isso não me surpreende. E o tempo ajeita tudo: no final, depois de um processo natural de separação entre o joio e o trigo, só restarão os bons.
Pronto. Descarreguei tudo. Fora esses pequenos percalços, o Twitter tem sido de imensa valia. Poder dialogar e conhecer pessoas interessantes, passar informações para os que gostam do meu trabalho sem intermédio de terceiros, estar mais perto dos fãs e observar a movimentação deles em tudo que diz respeito a banda, dividir impressões e discutir o mundo ao redor. É um prazer meio que antropológico. Ali, tanto exercito minha relação com as palavras e sentidos quanto testemunho e aprendo o jeito dos outros lidarem com isso. |